Cuidar da Profissão -

Cuidar da Profissão
 

Sem Democracia e Igualdade,

Nenhuma PAZ é possível!


proposta
21/07/2013 - 19h18 - Atualizado em 21/07/2013 - 19h18
Chapa Cuidar da Profissão - Brasil(SP)
TAMANHO DA FONTE A- A+
  Curtir  
Saúde Mental

 Para CUIDAR de fazer avançar a Luta Antimanicomial

A Reforma Psiquiátrica, política pública de atenção às pessoas com sofrimento mental, é um dos efeitos de um projeto político - a LUTA ANTIMANICOMIAL, do qual a Psicologia brasileira participa desde o início. Quando ainda pertencia ao campo das utopias e dos sonhos, a Psicologia e as(os) psicólogas(os), por meio de suas instituições representativas e, em especial, por meio do Sistema Conselhos, souberam fazer laço com esta causa, contribuindo para a decisiva virada de rumos que inscreveu a prática em saúde mental como uma questão da sociedade. A LUTA ANTIMANICOMIAL, assim, deixou der ser  um simples arranjo ou acordo entre os saberes técnico-científicos, ou pacto político e consenso de governos. A questão foi posta em debate, trazida para o centro da vida social, e aí encontrou suas condições de possibilidade para operar a transformação desejada.

Com o norte ético do compromisso social, a Reforma Psiquiátrica pôde encontrar na Psicologia o descolamento necessário e capaz de promover a cena inédita, a inscrição cidadã das pessoas chaadas de loucas.

Processo inconcluso, a Reforma Psquiátrica, contudo, já transformou de modo significativo e evidente as condições de vida e tratamento de muitas(os) cidadãs(os) em sofrimento mental. Especialmente, fez surgir novos lugares, condições e recursos para tratar o sofrimento que afeta a alma e tensiona os laços entre os sujeitos, as famílias, as comunidades, a sociedade.

Parte do parque manicomial, no qual a sociedade oferecia encarceramento como resposta ao sofrimento, foi superado. Contudo, tais instituições seguem existindo, exigindo uma tomada de posição mais firme e clara por parte dos governos quanto à imperiosa necessidade de construir o seu fim, a sua extinção. Nos dias de hoje, vemos surgir, justificado como modo de tratamento da loucura contemporânea, algo ainda mais perverso: novos manicômios específicos para usuárias(os) abusivas(os) de álccol e outras drogas.

Sem termos substituído completamente os manicômios, continuando os hospitais psiquiátricos a produzir mortes e violência, eis que uma nova demanda de exclusão e segregação ganha adesão social, faz vacilar governos e encontra no parlamento apoio e voz para pedir insistentemente o retrocesso, o retorno do autoritarismo e das práticas de sequestro de direitos como recursos terapêuticos.

As pessoas com sofrimento mental e as(os) usuárias(os) de álccol e outras drogas são, hoje, as figuras do mal e do perigo. E a política proposta reedita a invenção do século XVII: a institucionalização, sempre possível de ser associada ao encarceramento. A criminalização das(os) usuárias(os) de drogas afeta a Psicologia e seu fazer, pois para esta lógica o campo terapêutico encontra-se submetido à lógica repressiva e inscrito como recurso punitivo, quando deveria operar para produzir liberdade e autonomia. A inscrição da(o) usuária(o) como um deliquente traz duras consequências para a vida das(os) mesmas(os) e modula, ou melhor, adequa e reduz à condição de coadjuvante da repressão, as práticas de cuidado, fazendo-a operar, em nome do bem do outro e da saúde mental, como agentes da lei e da ordem.

Dois desafios espreitam a Reforma Psiquiátrica e suas/seus parceiras(os), dentre os quais a Psicologia brasileira tem lugar de destaque. De um lado, a necessidade de sustentar a superação real, efetiva, do parque manicomial, com a criação de redes substitutivas. De outro, a clareza ética de recusar instituições e propostas segregativas e excludentes como modos de tratar as(os) que se tornam usuárias(os) abusivas(os) de álcool e outras drogas.

A condenação moral foi outrora uma das responsáveis pela entrada das pessoas chamadas loucas no processo difuso de institucionalização das diferenças que fundamentou a criação do asilo moderno, ou seja, o manicômio. Lembrança importante e necessária à conjuntura atual.



Curtir





    Assunto(s) Relacionado(s)

10/08/2013 - Psicologia na Educação
03/08/2013 - Região Centro-Oeste
31/07/2013 - Esporte
28/07/2013 - Redes de Atenção Psicossocial - RAPS
28/07/2013 - Região Norte
27/07/2013 - Região Nordeste
24/07/2013 - Psicologia Organizacional e do Trabalho
23/07/2013 - Região Sudeste
23/07/2013 - Pra CUIDAR da Ampliação de Psicólogas(os) nas Políticas Públicas
23/07/2013 - A Ética Profissional no Contexto da Justiça
23/07/2013 - Região Nordeste
23/07/2013 - Região Sul
21/07/2013 - Saúde Mental
21/07/2013 - Participação da Psicologia nas Lutas Sociais
21/07/2013 - Psicologia e Assistência Social
18/07/2013 - Psicologia e Práticas Públicas
18/07/2013 - Saúde Suplementar
18/07/2013 - Participação Social
18/07/2013 - Mobilidade Humana
 

Criação - Desenvolvimento - Hospedagem - Atitude1.com.br