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18/07/2013 - 06h31 - Atualizado em 18/07/2013 - 06h53
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Avaliação Psicológica

 Avaliação Psicológica: Por uma Ética do CUIDADO

Avaliação psicológica: estamos aqui para CUIDAR de uma esfera da Psicologia que compreende um conjunto de conhecimentos, de práticas, de técnicas e de instrumentos. Este conjunto caracteriza um campo desta ciência e um fazer desta profissão que se destaca, sem dúvida nenhuma, por sua importância. Estamos aqui, portanto, reconhecendo um lugar de destaque à avaliação psicológica em uma ciência e em uma profissão que se chama Psicologia e que devemos dizer a vocês que as razões pelas quais conferimos este lugar passam por muitas perspectivas: passa pela história desta profissão e pela função desta prática ao longo da mesma. Com certeza, encontraremos de forma marcante nas raízes da constituição da Psicologia e do fortalecimento desta profissão, as raízes da avaliação psicológica; ou seja, o surgimento mesmo da Psicologia está colado a uma perspectiva, uma prática, uma função, que talvez não se cristalize em nenhuma outra esfera desta ciência e profissão hoje da forma como está cristalizada na avaliação psicológica. 

Se partirmos deste ponto e compreendermos que muitos outros a ele estão amarrados, formando uma totalidade de relações, devemos dizer a vocês que este lugar de destaque conferido à avaliação psicológica passa também pelo saber acumulado e construído em torno do tema. 

Dessa forma, a AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA é recorrente em vários contextos, desde a academia se estendo para a pratica profissional como, por exemplo, nos contextos: clinico, jurídico, escolar/educacional, organizacional, institucional, transito, porte de armas, etc.

A AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA é requisitada como instrumento para subsidiar decisões, diminuir dúvidas acerca de habilidades/comportamentos/potencialidades/traços de personalidade, reais ou virtuais, de indivíduos ou grupos. Sob essa denominação, permanecem abrigados assuntos tão diversos e controversos como os testes psicológicos padronizados (de nível mental e de personalidade), as entrevistas, as escalas e o psicodiagnóstico. 

O procedimento técnico da AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA refere-se aos instrumentos, bem como às consequências éticas de suas aplicações. Implica em elaboração e escolha de instrumentos, aplicação e resultados. É um equívoco visualizá-la somente como geradora de um produto. 

A AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA é fortemente marcada pelo seu aspecto técnico e parece ocultar a sua principal determinação, o aspecto político. A respeito disso, pouco foi discutido ou ainda não o foi suficientemente. A sociedade moderna exige tanta tecnificação que acaba transformando os meios em fins. 

No aspecto político, temos que refletir sobre o contexto que envolve a situação de avaliação, que ideologia reflete esta avaliação, qual sua intenção. 

Que outros elementos então traríamos para justificar o destaque da AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA na Psicologia, a partir da complexidade em que ela deva ser realizada? Queremos aqui nos aproximar da sua dimensão ética – porque fizemos referência acima a um conjunto de conhecimentos, de práticas, de técnicas e de instrumentos, e propositalmente não citamos a ética – e para isso destacamos apenas mais um elemento que nos ajuda a justificar este lugar de destaque da avaliação psicológica: o seu reconhecimento enquanto prática da Psicologia. Explicitando: o seu reconhecimento social enquanto prática da Psicologia. E é isso que não nos permite deixar de lado a dimensão ética quando falamos do conjunto de “coisas” que caracteriza este fazer. 

É a via da ética que nos diz para que fazer, com que objetivo fazer, como fazer. O que construímos com esta prática? Caminho em direção de qual sociedade? A serviço do quê colocamos nossa profissão? Que profissão estamos construindo? É a ética que nos traz claramente a transmutação de uma prática marcada aparentemente pela técnica e pelo conhecimento específico (porque carregada pelos mesmos), em uma prática acima de tudo social. Ou seja, estamos falando de uma prática na qual, em todos os momentos, a ética, isto é, o seu compromisso, deixa de ser pano de fundo e passa a assumir o lugar da figura, o destaque, o centro: fazemos avaliação psicológica de alguém, de um sujeito concreto, que vive em uma realidade concreta, que tem um passado, que tem um futuro. Portanto, a nossa avaliação psicológica reverbera na vida deste sujeito concreto e por isso reverbera na vida. Daí o reconhecimento social deste fazer. (Rios, 2004)

Somos chamados a fazer AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA para subsidiar muitas decisões: a guarda das crianças, as visitas dos pais, o encaminhamento para instituições ou espaços de cuidados especiais, a concessão das Carteiras Nacionais de Habilitação, a concessão do porte de armas, a contratação dos empregados, a necessidade de permanência no cárcere, a avaliação em crianças em idade escolar... quantas reverberações sociais nessa nossa prática!!! A verdade é que não existe prática profissional que não tenha função social. Toda prática profissional é ação sobre o mundo e talvez neste fazer isso esteja mais explicitamente colocado. E isso é importante! É importante porque nos obriga a empreendermos a reflexão, a pensarmos sobre o compromisso social deste trabalho, a convivermos visceralmente com sua dimensão ética. É importante também porque os resultados desta prática profissional atingem com todas as forças os cidadãos, as muitas pessoas implicadas nesta ação profissional, que diz respeito às nossas avaliações. E isto nos faz pensar enquanto profissão, isso nos faz correr atrás da qualificação e da produção de referências. 

Os Conselhos Federal e Regionais de Psicologia, enquanto espaço de mediação entre a profissão e a sociedade, enquanto entidades que têm como dever cuidar da qualidade do serviço prestado pela Psicologia à sociedade, são órgãos que oficialmente recebem questionamentos da sociedade, para desta forma CUIDAR. 

A qualidade das AVALIAÇÕES PSICOLÓGICAS não passa somente pela eficácia técnica, mas envolve uma dimensão técnica-ética-política. Garantir a eficácia técnica é também garantir o caráter ético do trabalho. Mas é este que não se esgota na boa técnica. Lembrem-se do reconhecimento social que dialeticamente nos exalta e nos denuncia. É este reconhecimento que coloca a ética como dimensão fundamental deste trabalho. E então, não é possível pensar perspectivas de futuro sem CUIDAR da ética, da profissão, pelo menos se estivermos pensando naquele futuro de uma Psicologia mais crítica, mais compromissada, mais qualificada. E se as raízes da Psicologia se encontram com as raízes desta prática, temos a certeza de que nós precisamos disso para construir uma Psicologia melhor!


 

 



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